A neurocirurgia minimamente invasiva

A neurocirurgia é uma das mais jovens especialidades da Medicina. Embora existam registros de procedimentos neurocirúrgicos já no antigo Egito, como trepanações (perfuração do crânio para procedimentos) e acessos transnasais para retirada do tecido cerebral durante o processo de mumificação (1), além de evidências de procedimentos entre as civilizações pré -colombianas (2), somente no século XIX com o advento da anestesia, da assepsia e da teoria da localização cerebral que técnicas neurocirurgicas como as conhecemos hoje passaram a ser desenvolvidas.

Em 1879, William Macewen pela primeira vez retira com sucesso um tumor intracraniano (meningioma frontal esquerdo em um adolescente que voltou à vida normal após o procedimento) (3), e Victor Horsley (1857 – 1916) é apontado em 1886 como cirurgião no National Hospital, Queen Square, Londres montando ali o primeiro serviço especializado em neurocirurgia.

No entanto, o cirurgião norte americano Harvey Cushing (1869 – 1939) é considerado o pai da moderna neurocirurgia, criando e aperfeiçoando técnicas que hoje são consagradas.

Ao longo do século XX a especialidade foi se consolidando, e as técnicas foram se desenvolvendo sempre com o acréscimo de novas tecnologias – como o  microscópio cirúrgico, o coagulador bipolar e as técnicas microneurocirurgicas na década de 70 e, a partir da década de 90, com os primeiros passos em direção às técnicas minimamente invasivas.

As técnicas minimamente invasivas se tornaram possíveis graças à melhora na qualidade dos equipamentos de vídeo, possibilitando uma visão em alta definição das estruturas anatômicas envolvidas nos procedimentos. O advento do Neuronavegador (equipamento que permite a localização em tempo real do instrumento do cirurgião em relação à estrutura anatômica), também permitiu que acessos cirúrgicos menores pudessem ser realizados com segurança, conceito esse central das técnicas minimamente invasivas.

Desse modo, a ideia de cirurgias com acessos menores, mas com manutenção da segurança obtida nos procedimentos clássicos, resulta em uma menor manipulação de tecidos, menor trauma cirúrgico e menor tempo de recuperação do paciente com o mesmo resultado das cirurgias tradicionais.

É importante ressaltarmos no entanto, que nem todos os casos são passíveis de abordagens minimamente invasivas, seja pela natureza, localização, ou pelas peculiaridades das doenças neurocirúrgicas.

 

Atualmente é seguro dizermos que as técnicas minimamente invasivas estão bem estabelecidas para aneurismas cerebrais, AVCHs , tumores da base do crânio, tumores da hipófise e patologias da coluna.